No
ano de 2004 houveram grandes mudanças, meus pais decidiram mudar de
cidade- eu tinha 14 anos. A chegada em Jequié- a princípio foi difícil,
algo natural neste processo de transição- porém, o tempo foi generoso.
Neste ano eu cursei a 7° e 8° série no Colégio Estadual Professora
Florípes Sodré, no Bairro da Cidade Nova. Este momento foi um divisor de
águas na minha história educativa, pois, aqueles medos que tive da 5° á
7° série (no antigo colégio) já não existiam. As notas já eram boas, o
interesse em aprender só aumentava a cada dia de aula, a professora
Conceição foi meu espelho- ela junto com outra docente ensinavam as duas
disciplinas que mais gostava: Geografia e História.
Hoje
entendo a importância que o EJA teve na minha vida nesse período, pois
apesar da pouca idade, estudei com pessoas com muito mais idade do que
eu. Na verdade poderia estudar pelo dia em escolar regular, porém,
quando cheguei em Jequié já não havia escolha, tive que me matricular
pela noite, numa turma de EJA. Estudar nessa modalidade me proporcionou
estreitar os laços com disciplinas que eu tinha dificuldade, como
Biologia e Matemática; a turma era grande e esforçada a maioria dos
professores eram flexíveis em relação a chegada dos alunos, entrega de
trabalhos; porém uma professora não tinha base para ensinar nessa
modalidade; ela era ríspida e não compreendia que aqueles alunos tinham
um cotidiano diferente dos alunos regulares. Isso causava alguns
conflitos , rotulações nos alunos pela professora e vice versa.
No
ano seguinte fui para uma escola muito conhecida no município: Colégio
Estadual Prof. Magalhães Neto. Infelizmente a fama desta não era das
melhores, o desinteresse e desesperança pairavam na vida daqueles
alunos- inclusive eu; a violência e drogas também faziam parte daquela
realidade- nada diferente de uma escola pública de periferia no Brasil.
Apesar deste cenário eu podia notar a força de alguns professores, que
de forma alguma desistiram de nós.
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